Em novembro de 2014 teve início o processo de criação de Língua Mãe.Mameloschn, da dramaturga alemã Mariana Salzmann. O que era para ser uma leitura dramática tão somente, que mostraria pela primeira vez no Brasil a tradução da peça, mobilizou a quem viu e em especial, a nós que a fizemos.

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Sentimos que não poderíamos deixar de montá-la. Era como se aquele texto nos exigisse um mergulho ainda maior.

Mães e filhas, família, pertencimento, memória, feminismo, militância, causas e lutas. Amor. Migrações.

Assim, em maio de 2015 a peça teve sua estreia no Goethe e de lá até aqui foram inúmeras apresentações incluindo três festivais: Palco Giratório SESC, Porto Alegre Em cena e Porto Verão Alegre, este último com apresentações no Teatro no Complexo Histórico-Cultural Santa Casa.

Duas premiações: Prêmio Braskem de melhor atriz e Prêmio Açorianos de Melhor Espetáculo. Tudo em 2015.

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É sempre nova a forma como um espetáculo de teatro constitui sua carreira, sua trajetória. Ao criá-lo, podemos pressentir, intuir ou acreditar que temos em nossas mãos um sucesso. Mas nem sempre é assim.

O que sabíamos de Língua Mãe.Mameloschn é que desde o princípio havia entre nós tamanha cumplicidade, uma conexão absurda de tão intensa.

E que a empatia com as personagens e as situações seria muito emocionante.

A repercussão da peça entre as pessoas foi enorme. Um público númeroso e caloroso. Ao final dos espetáculos, muita gente permanece no teatro espalhada conversando entre si e conosco. Gente mandando mensagens pelas redes sociais. Casas cheias para nos acompanhar.

Pessoalmente, afastada das peças de teatro e da composição de seus personagens desde 2008, o contato com esse texto foi arrebatador. Deparei-me com uma personagem reta, forte e arguta. Alguém que sabia que havia em mim. E que precisava buscá-la.

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Clara recusa pertencer ao que quer que seja. Busca atabalhoadamente amar. No decorrer da peça ela se transforma, passa a olhar para si de uma perspectiva que não seja apenas de mãe e filha. Busca-se como mulher num mundo também em transformação.

 

Agora, nesse mundo em transformação, levamos nossa Língua Mãe. Mameloschn para seu ponto de partida, a Alemanha.

A convite da cidade de Ludwigshaffen e do Goethe Institut, nos apresentamos nos dias 10 e 11 de março. Falando em português um texto alemão para os alemães.

Sinto-me ansiosa e emocionada.

Viva o teatro!

Vivo o teatro!

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