ANGÉLICA, A CASA E A ENCERADEIRA

A cidade estava vazia quando saiu do apartamento que dividia com a prima. Com a enceradeira numa mão e a lata de cera na outra, partiu para o novo endereço. Entrou com o sol recém posto no céu e já fazendo frestas de luz na casa que ia ser sua. E dele. Naquele nada já tão repleto, começou delicadamente a espalhar a cera. Foi assim em cada peça, em cada pedaço, em cada canto. E então, pôs-se a dançar com a enceradeira por todo o chão. Valsando, deslizando, fazendo brilhar a casa, agora que o sol já se espalhava faceiro.

No fim, quando tudo reluzia, deitou-se esparramada pela casa conquistada.

Para Maria Angélica Santos

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