Nestes últimos dias, voltei algumas vezes ao estúdio de gravação. A voz. Adoro! O microfone, o fone de ouvido. Brinco de ser radioatriz. Sempre tive uma relação de fascínio pelo estúdio de gravação. Dizer e escutar-se ao mesmo tempo. A “solidão compartilhada” tem um tom de dramaticidade e sedução que me apaixona. Há uma atmosfera de intimidade que contradiz a situação. Ou seja, uma pessoa à frente do microfone imaginando que pretensamente fala a alguém ou alguéns que podem estar também sozinhos. E esta relação é próxima, direta. Stanislavski falava na “solidão em público”, sentimento que vive o ator ao estar em cena, só, mas perante muitos espectadores que reverberam sua energia e o fazem mais presente.  No estúdio (ou rádio), essa plateia é imaginada, presumida e, ainda assim, provoca no ator o desejo de seduzir, encantar. Bom. Muito bom!

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