Dois espetáculos no caleidoscópico Palco Giratório, em Porto Alegre, me encantaram. Deixaram-me alerta.  Ambos, de bom texto, de boa fala, de boa voz, daquela difícil linha maravilhosa que inclui a palavra na ação. Ou, que prevê a escuta do outro. Ou, onde não há separação entre o que se diz e o que se faz. Presença inteira!

Ulisses, na primeira, faz sua odisseia pelo Rio de Janeiro, escapa do canto das sereias para manter-se na escuta de si mesmo. O que na maior parte das vezes é perigoso. Sasha, ele e Sasha, ela, na segunda, percorrem os dez passos das leis morais para concluir que o mundo é mesmo um redemoinho. Ulisses e Sashas somos nós percorrendo os descaminhos da existência. Perguntando em voz alta, olhando em volta para saber quem vem conosco e quem fica.

Aderbal Ulisses , Patrícia e Rodrigo, Sashas, constroem no presente do entre palco e plateia, aquela arte supimpa que é a arte do ator.

Nos dois espetáculos uma sensação, uma vontade de ter estado em cena.

 

 

Depois do Filme – texto, direção e atuação de Aderbal Freire Filho

Oxigênio – Texto de Ivan Viripaev, direção de Marcio Abreu, com a Cia. Brasileira de Teatro

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